quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Ameloblastoma

             O ameloblastoma é uma neoplasia benigna do epitélio odontogênico de crescimento lento e contínuo, localmente agressivo que raramente sofre transformação maligna. Possui uma grande variedade histológica com alguns tipos apresentando alto potencial de recidiva. Corresponde a 1% de todos os tumores odontogênicos de maxila e mandíbula.  O ameloblastoma  é comparado ao carcinoma basocelular devido ao seu comportamento biológico: ambos são infiltrativos e capazes de destruir tanto o osso quanto tecido mole.

       O ameloblastoma pode ter origem dos remanescentes da lâmina dental, epitélio reduzido do esmalte, restos epiteliais de Malassez ou da camada de células basais do epitélio de superfície. Ocorre predominantemente em mandíbula (80 a 85% dos casos); na região de corpo e ramo ascendente de mandíbula com maior incidência (75%)1,3,4. Em maxila, 47% dos casos são em região posterior e 15% em seio maxilar e assoalho de cavidade nasal1,7. Não há predileção por sexo.
        A classificação do ameloblastoma ocorre de acordo com as suas características clínicas e radiográficas, em três tipos: multicístico (também denominado de ameloblastoma comumou sólido), unicístico e periférico (extra-ósseo). Histologicamente, há a classificação da OMS de tumores odontogênicos8, dividindo-os em neoplasias benignas e malignas.  
           
           
              O ameloblastoma maligno apresenta metástase, apesar das características benignas dos achados histológicos. Sua incidência é de 2%9. O ameloblastoma maligno pode ocorrer mesmo não precedendo um ameloblastoma comum (benigno) ou ainda proliferar-se a partir de uma transformação maligna espontânea ou decorrente de um procedimento cirúrgico. Henderson et al3 (1999) realizaram uma revisão de literatura de 56 anos; 41 casos de ameloblastoma maligno foram relatados. Neste estudo, 75 a 80% das metástases eram pulmonares. Em ordem de maior incidência, os locais mais comuns de metástase são os pulmões, linfonodos de cabeça e pescoço, pleura, vértebras, crânio, diafragma, fígado, parótida e intestino.   

           Na literatura também pode ser encontrado o termo carcinoma ameloblástico, que é descrito como uma neoplasia que demonstra evidência histológica de transformação maligna independendo da presença de metástase. É uma neoplasia agressiva e possui grande propensão de metastatizar. O ameloblastoma multicístico atinge largo espectro de idades, acometendo principalmente 3ª e 4ª décadas de vida. O ameloblastoma unicístico ocorre em indivíduos mais jovens, na faixa dos 16 aos 20 anos. Pode apresentar os seguintes sinais e sintomas: crescimento tecidual intra-oral, expansão óssea assintomática ou sintomática, dor e ulceração intra-oral, mobilidade ou perda dental e assimetria facial. O crescimento lento intraósseo ocorre com freqüência, diagnosticando o ameloblastoma em radiografias panorâmicas de rotina ou ainda nos casos de expansão da cortical óssea tardia, sendo notado pelopaciente somente quando a lesão atinge dimensões maiores.
           Em casos de ameloblastoma de maxila, podem ocorrer dor peri-auricular, obstrução nasal e empiema de seio maxilar. No estudo de Newman, houve um caso de ameloblastomamaxilar com amaurose. O ameloblastoma periférico apresenta crescimento tecidual em mucosa gengival, sem envolvimento ósseo direto.Caracteriza-se por um nódulo firme, séssil (mais freqüente) ou pediculado, variando de tamanho (entre 0.5 a 2.0 cm), com superfície lisa e coloração normal. Os ameloblastomas periféricos podem apresentar superfície com aspecto papilar. Com menor freqüência, a lesão pode ser proveniente do epitélio de superfície, apresentando-se eritematosa ou ulcerada.
            Radiograficamente, o ameloblastoma multicístico é caracterizado por uma imagem radiolúcida multilocular com aspecto de favo de mel ou bolhas de sabão. Raramente pode ocorrer reabsorção radicular de dentes adjacentes (Figura 2). Deve-se ter atenção especial ao tipo desmoplásico, que se assemelha a uma lesão fibro-óssea; caracteriza-se por uma imagem mista radioluscente e radiopaca.




 MÉTODOS DE TRATAMENTO


1. ENUCLEAÇÃO: Processo pelo qual remove-se totalmente a lesão; deve-se tentar remove-la sem lesar sua cápsula.
2. MARSUPIALIZAÇÃO: Consiste na realização de uma comunicação da membrana da lesão com a cavidade oral, seio maxilar ou cavidade nasal para sua descompressão.
3. ENUCLEAÇÃO SEGUIDA DE CURETAGEM: Após a enucleação efetua-se a remoção óssea periférica17.
4. CRIOTERAPIA: É um tratamento conservador auxiliar, realizado após a enucleação ou curetagem. Aplica-se nitrogênio líquido (spray) na loja óssea. O nitrogênio líquido atinge uma temperatura de –196°C, promovendo congelamento local, causando necrose. Dessa forma, há eliminação dos remanescentes tumorais em tecido ósseo aparentemente normal18.
5. ELETROCAUTERIZAÇÃO: É considerada como um tratamento conservador auxiliar. É realizada após a enucleação ou curetagem da loja óssea, promovendo também uma desvitalização local19.
6. EXÉRESE COM MARGEM DE SEGURANÇA: Pode ser classificada como marginal ou segmentar. A mandibulectomia marginal consiste na preservação da borda da mandíbula. Contrariamente, a mandibulectomia segmentar inclui o bordo mandibular